Tenho lutado diariamente com a vontade de falar. Tem dia que a vontade me consome e tem dia que ela me deixa quieta. Tem dia que choro tem dia que dou risada com mais facilidade.
Tenho esperado o tempo passar; tenho tentado deixar a ansiedade de lado.
Tenho me controlado diante de notícias que recebo. Tenho tomado mais remédios para o estômago.
Tenho ouvido outras músicas, outros ritmos em outros lugares.
Tenho me acostumado com a vida mais sozinha, em uma realidade paralela à imaginada outrora.
Tenho tido mais amor próprio, vivendo a máxima de que “o justo não se justifica”. Tenho dançado mais e sofrido mais.
Tenho sentido mais saudade, mais dor e mais vontade de vida. Vontade de levantar e de me explorar ao máximo.
Tenho alimentado mais carinho e menos mágoa. Tenho boas lembranças. Lembranças gostosas que não tem culpa de palavras que as desconsideraram totalmente.
Tenho estado em um momento mais particular, mais reflexiva, mais crítica e mais consciente.
Venho enxergando as coisas pelo meu ângulo próprio e as aceitando melhor.
Venho entendendo que se entreguei a minha vida em oração, as coisas acontecem de um jeito que às vezes não entendemos e que também não cabe a nós entender.
Venho aceitando melhor os fados da vida e aprendendo a colocar cor nas coisas.
Venho sentindo saudade. Venho sentindo [muito]. Venho me colocando no lado de lá e venho aprendendo a não ter raiva das coisas que me lembram do passado.
Venho aqui pra rezar, pra amansar, pra silenciar o grito interno de raiva e desprezo.
Venho pedindo pra ser mais que um momento errado e um momento incerto. Venho querendo me colocar no lugar cativo de uma boa nostalgia.
Venho aqui pra isso. Pra ser uma presença, uma palavra, um momento, um texto, um sentimento, uma coisa. Venho aqui pra que também seja e para que marque com o bem o fim.
sexta-feira, 28 de dezembro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
voar!
pra hoje eu queria a infância, o vento e um lençol da minha mãe amarrado no meu pescoço. era bom brincar de voar...
ida
Vai pelo vazio que deixa
pela falta que perturba, pelo descanso que rouba.
Rouba planos inéditos e egoístas,
rouba sonhos sonhados para existir.
Vai pela noite que já é hora,
hora que demora que reprime.
Hora que assusta e que esvazia.
Vai que já é tempo,
que o desejo se perdeu em algum momento
que o inconsciente trouxe a tona a vontade de solidão.
Vai mas entende que o fim é relativo a vontade do que existe.
Relativamente pertinente e conscientemente
-mente, briga, chora.
Vai mas vem e volta
Como a sombra durante o dia,
como a luz durante a noite
como o medo a cada decisão.
Vai mas me deixa poetisa de uma vida estranha
Vai mas me inspira melodia, tom e cor
Vai mas me entende diante de toda essa loucura.
pela falta que perturba, pelo descanso que rouba.
Rouba planos inéditos e egoístas,
rouba sonhos sonhados para existir.
Vai pela noite que já é hora,
hora que demora que reprime.
Hora que assusta e que esvazia.
Vai que já é tempo,
que o desejo se perdeu em algum momento
que o inconsciente trouxe a tona a vontade de solidão.
Vai mas entende que o fim é relativo a vontade do que existe.
Relativamente pertinente e conscientemente
-mente, briga, chora.
Vai mas vem e volta
Como a sombra durante o dia,
como a luz durante a noite
como o medo a cada decisão.
Vai mas me deixa poetisa de uma vida estranha
Vai mas me inspira melodia, tom e cor
Vai mas me entende diante de toda essa loucura.
pra hoje.
Rola, rola bola
Rola, cai e extrapola.
Rola, vaza
-Cai sozinha no canto da boca
Cai amarga no travesseiro
Cai brilhante
Cai no meio da noite.
Rola bola brilhante
Rola de leve e inconstante
Rola sem demora
Rola sem olhar a hora
-Cai vazia e dolorosa
Cai molhada de sentimento
Cai de dor no esquecimento.
Rola bola macia
Rola bola sem fôlego
Rola até o findar da hora
Rola até agora
Rola bola cristalina
Rola bola que sai da retina
Que atravessa a boca e cai no queixo
Rola bola e leva a dor embora
Agora.
Rola, cai e extrapola.
Rola, vaza
-Cai sozinha no canto da boca
Cai amarga no travesseiro
Cai brilhante
Cai no meio da noite.
Rola bola brilhante
Rola de leve e inconstante
Rola sem demora
Rola sem olhar a hora
-Cai vazia e dolorosa
Cai molhada de sentimento
Cai de dor no esquecimento.
Rola bola macia
Rola bola sem fôlego
Rola até o findar da hora
Rola até agora
Rola bola cristalina
Rola bola que sai da retina
Que atravessa a boca e cai no queixo
Rola bola e leva a dor embora
Agora.
domingo, 30 de setembro de 2012
madrugada
Corre na dança leve da tempestade que se aproxima
Chove chuva de razão que derrete o sentimento, de repente.
De repente? DE RE PEN TE.
Vive de cor, de sonho e de ilusão.
Vive de bem com calma e razão.
Vive iludida de desejo
de verdades estranhas do coração.
Venta la fora na lua
Venta na chuva, venta no chão.
Venta leve no sussurro da madrugada.
Venta no galo que canta - anta.
Chove chuva de razão que derrete o sentimento, de repente.
De repente? DE RE PEN TE.
Vive de cor, de sonho e de ilusão.
Vive de bem com calma e razão.
Vive iludida de desejo
de verdades estranhas do coração.
Venta la fora na lua
Venta na chuva, venta no chão.
Venta leve no sussurro da madrugada.
Venta no galo que canta - anta.
Sempre na dele, olhando de lado, todo tranquilo e observador.
Tinha seu prato, seu copo, sua colher e sua rotina.
Ele estava sempre nos meus aniversários.
Ele brincava de correr atrás da gente com a dentadura solta na boca.
Ele falava italiano e ficava sentado na sua poltrona com seu velho cigarro.
Ele era uma figura forte.
Ele tinha o meu nariz e o meu dedo.
Ele tinha carinho e respeito.
Ele era lindo.
Ele me abraçou essa noite.
Ele deixou saudade.
a saudade vem batendo aos poucos. ainda posso ouvir sua voz, sentir seu cheirinho, e se eu fechar bem os olhos, não sinto a sua ausência; é estranho. tenho orgulho de carregar seus traços e de ter na memória quem você foi. o amor foge ao tempo e a separações, carrego sempre você comigo.
[saudade da figura mais forte da minha vida. saudade de chegar lá e ver ele, e abraçar ele. essa saudade permitiu um sonho muito real essa noite.. ao meu lindo e bom avô Josué Marcos Borsato]
Tinha seu prato, seu copo, sua colher e sua rotina.
Ele estava sempre nos meus aniversários.
Ele brincava de correr atrás da gente com a dentadura solta na boca.
Ele falava italiano e ficava sentado na sua poltrona com seu velho cigarro.
Ele era uma figura forte.
Ele tinha o meu nariz e o meu dedo.
Ele tinha carinho e respeito.
Ele era lindo.
Ele me abraçou essa noite.
Ele deixou saudade.
a saudade vem batendo aos poucos. ainda posso ouvir sua voz, sentir seu cheirinho, e se eu fechar bem os olhos, não sinto a sua ausência; é estranho. tenho orgulho de carregar seus traços e de ter na memória quem você foi. o amor foge ao tempo e a separações, carrego sempre você comigo.
[saudade da figura mais forte da minha vida. saudade de chegar lá e ver ele, e abraçar ele. essa saudade permitiu um sonho muito real essa noite.. ao meu lindo e bom avô Josué Marcos Borsato]
terça-feira, 11 de setembro de 2012
nostalgia
Coisa velha me dá vontade de coisa nova!
É tão bom pegar cadernos antigos e cartas das adolescência e ver de onde nasceu tantas características pessoais. Sinto saudade de épocas remotas, onde a minha maior preocupação era uma prova de matemática. Saudade de ficar horas na varanda escrevendo poesias e ouvindo incansavelmente a mesma música. Saudade de ter tempo e estômago pra pensar na vida, nos sonhos, nos planos.. saudade de me sentir pequena e plenamente acolhida no colo da mãe.
Crescer dói e dói mais ainda refletir sobre cada dor, cada momento. Às vezes não me sinto tão forte, às vezes quero colo.
Ouvi essa vindo pra casa hoje. Me lembro de passar horas na varanda, a noite, cantando essa música. JURAAAVA que cantava bem! haha
Por enquanto- Cássia Eller
http://www.youtube.com/watch?v=XVVmAG0RXmo
E essa vem direto do meu primeiro caderno de poesia:
Valsa
Fez tanto luar que eu pensei em teus olhos antigos
e nas tuas antigas palavras.
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos
que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.
Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto
e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege
e estudo apenas o ar e as águas.
Coitado de quem pôs sua esperança
nas praias fora do mundo...
- Os ares fogem, viram-se as água,
mesmo as pedras, com o tempo, mudam.
Cecília Meireles
ai ai [suspiros].
É tão bom pegar cadernos antigos e cartas das adolescência e ver de onde nasceu tantas características pessoais. Sinto saudade de épocas remotas, onde a minha maior preocupação era uma prova de matemática. Saudade de ficar horas na varanda escrevendo poesias e ouvindo incansavelmente a mesma música. Saudade de ter tempo e estômago pra pensar na vida, nos sonhos, nos planos.. saudade de me sentir pequena e plenamente acolhida no colo da mãe.
Crescer dói e dói mais ainda refletir sobre cada dor, cada momento. Às vezes não me sinto tão forte, às vezes quero colo.
Ouvi essa vindo pra casa hoje. Me lembro de passar horas na varanda, a noite, cantando essa música. JURAAAVA que cantava bem! haha
Por enquanto- Cássia Eller
http://www.youtube.com/watch?v=XVVmAG0RXmo
E essa vem direto do meu primeiro caderno de poesia:
Valsa
Fez tanto luar que eu pensei em teus olhos antigos
e nas tuas antigas palavras.
O vento trouxe de longe tantos lugares em que estivemos
que tornei a viver contigo enquanto o vento passava.
Houve uma noite que cintilou sobre o teu rosto
e modelou tua voz entre as algas.
Eu moro, desde então, nas pedras frias que o céu protege
e estudo apenas o ar e as águas.
Coitado de quem pôs sua esperança
nas praias fora do mundo...
- Os ares fogem, viram-se as água,
mesmo as pedras, com o tempo, mudam.
Cecília Meireles
ai ai [suspiros].
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